Foto: Arthur Marrocos/Divulgação / Divulgação
Se na centro-direita a disputa tende a ficar concentrada entre Eduardo da Fonte e Mendonça Filho, no campo da esquerda o cenário caminha para uma definição cada vez mais clara em torno de Humberto Costa.
O senador petista chega à campanha como o nome de maior peso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Pernambuco. Assim como ocorreu com Teresa Leitão em 2022, Humberto é visto como um dos candidatos mais próximos do presidente, o que deve garantir prioridade absoluta da estrutura nacional do PT e do governo federal durante a campanha.
Esse fator pode ser decisivo. Mesmo prefeitos e lideranças que integram a base da governadora Raquel Lyra já sinalizam apoio à reeleição de Humberto, numa demonstração de que a eleição para o Senado tende a ultrapassar a lógica da disputa pelo Governo do Estado.
Nesse contexto, a principal incógnita passa a ser Túlio Gadelha. O deputado federal aposta em uma candidatura vinculada ao palanque de Raquel Lyra e tentará transformar a popularidade da governadora em votos para o Senado. A dúvida é se esse capital político será suficiente para enfrentar a máquina eleitoral do PT e a força do presidente Lula em favor de Humberto.
Quem pode sentir os maiores reflexos desse cenário é Marília Arraes. Com Humberto consolidando o eleitorado lulista e Túlio buscando espaço em outro segmento do eleitorado, a pré-candidata corre o risco de perder competitividade. A tendência é de desidratação de sua candidatura, reduzindo suas chances de conquistar uma das duas vagas.
Se essa configuração se confirmar, Pernambuco poderá assistir a uma disputa dividida em dois grandes blocos. Na centro-direita, Eduardo da Fonte e Mendonça Filho disputariam o mesmo eleitorado. Na esquerda, toda a estrutura política do PT, do presidente Lula e do governo federal trabalharia para garantir a reeleição de Humberto Costa, hoje o candidato que reúne as maiores condições de unificar o campo governista na corrida ao Senado.

Por Augusto César