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POLíTICA

A TRAJETÓRIA QUE EMPURRA MARÍLIA PARA UMA TERCEIRA DERROTA MAJORITÁRIA

Augusto César Por Augusto César
A TRAJETÓRIA QUE EMPURRA MARÍLIA PARA UMA TERCEIRA DERROTA MAJORITÁRIA

A possível derrota de Marília Arraes ao Senado em 2026 não pode ser explicada por um episódio isolado. É preciso observar a linha do tempo. Ao longo dos últimos anos, Marília mostrou capacidade eleitoral, mas acumulou derrotas, mudanças partidárias e rupturas que ajudam a compreender o cenário.

Em 2018, ainda no PT, construiu uma pré-candidatura ao Governo de Pernambuco, mas não conseguiu sustentá-la dentro do partido. A direção nacional retirou seu nome para viabilizar um acordo com o PSB. Foi uma derrota política antes mesmo das urnas.

Em 2020 veio a primeira derrota majoritária nas urnas. Marília disputou a Prefeitura do Recife e recebeu 43,73%, contra 56,27% de João Campos. Dois anos depois, deixou o PT, filiou-se ao Solidariedade e tentou o Governo. Liderou o primeiro turno, mas perdeu para Raquel Lyra no segundo: foram 3.113.415 para governadora.

Em 2026, Marília deixou o Solidariedade após conflitos envolvendo a federação com o PRD e ingressou no PDT, onde encontrou em Carlos Lupi sustentação para sua candidatura .

Quando João Campos ainda não havia fechado sua chapa, Marília e Sílvio Costa Filho abriram um “diálogo” (Pressão) com Raquel Lyra. A movimentação complicou as articulações de João. Dias depois, ele anunciou Marília e Humberto Costa para o Senado.

Marília conquistou a vaga, mas os problemas não terminaram. O PT nunca escondeu que sua prioridade para o Senado é Humberto Costa. Agora, Álvaro Porto rompeu com Marília e prefeitos e lideranças também retiraram apoio. O fato mais significativo é que eles continua apoiando João Campos. Ou seja, o afastamento é especificamente de Marília.

Enquanto isso, Humberto amplia sua capilaridade e conta com a máquina partidária do PT. Mendonça Filho busca concentrar o eleitorado da direita e recebe novos apoios a todo instante.

Dudu da Fonte venceu a disputa interna com Miguel Coelho e consolidou sua candidatura.

A fotografia política, portanto, é resultado de uma sequência. Marília chega novamente competitiva, mas cercada por adversários que agregam enquanto ela perde aliados.

Depois das derrotas de 2020 e 2022, os sinais de 2026 apontam para o crescente de uma terceira derrota majoritária.