Durante 6 meses, o observatório De Olho nos Ruralistas rastreou mais de 20 mil contratos e revelou a escala real da farra: 40 artistas embolsaram R$ 3,08 bilhões de prefeituras e governos desde 2024.
Detalhe: quase tudo por inexigibilidade de licitação. Sem concorrência, sem justificativa de preço, sem prestação de contas.
Esse valor quase iguala o recorde da Lei Rouanet inteira em 2025 (R$ 3,41 bi). A diferença: a Rouanet é renúncia fiscal, vale para todas as artes e exige prestação de contas milimétrica. Isto aqui é dinheiro vivo da prefeitura, só para música.
E a ironia final: vários dos maiores beneficiários são críticos ferozes da Rouanet. Zezé Di Camargo recebeu R$ 73 milhões (a imprensa falava em 20). Eduardo Costa e Zé Neto também estão no top 40.
Atacam o edital no palco e assinam a inexigibilidade no bastidor, enquanto o agente cultural de verdade presta conta de cada nota fiscal.
O jogo é desigual. Mas o edital continua sendo o seu campo, e ele mudou de patamar com IA.

Por Augusto César