Pernambuco é maior que Amisadai Andrade. É maior que Raquel Lyra, maior que João Campos e muito maior que essa disputa para saber quem possui o maior “gabinete do ódio”.
Nos últimos dias, o nome de Amisadai virou uma bola empurrada de um palanque para o outro. A oposição destaca sua passagem pelo Governo do Estado, suas visitas ao Palácio e os contratos de publicidade firmados com uma empresa ligada a ele. Os governistas reagem tentando aproximá-lo do PSB. Cada grupo apresenta a versão que mais lhe interessa, enquanto os verdadeiros problemas de Pernambuco desaparecem do debate.
As denúncias são graves e precisam ser investigadas com rigor, transparência, provas e direito de defesa. Mas uma eleição para governar quase dez milhões de pernambucanos não pode ficar resumida a uma guerra de acusações nas redes sociais.
Quando os candidatos vão discutir os indicadores?
Pernambuco continua sendo o quinto estado mais violento do Brasil, com 33 mortes violentas para cada 100 mil habitantes. São famílias destruídas, comunidades dominadas pelo medo e trabalhadores que saem de casa sem saber se voltarão em segurança.
Na saúde, somente o Hospital Agamenon Magalhães acumulava 2.714 pacientes esperando por cirurgias. Em algumas especialidades, a espera chegava a 29 meses. Também foram identificadas centenas de cirurgias canceladas, erros de agendamento, falhas de planejamento e ausência de profissionais.
Na educação, apesar dos avanços, o Ideb do ensino médio ainda é de apenas 4,7 e 18% dos estudantes apresentam atraso escolar. Manter o jovem matriculado é importante, mas é preciso garantir aprendizagem, formação e oportunidade.
Quem vai retirar Pernambuco da lista dos estados mais violentos? Quem vai acabar com as filas dos hospitais? Quem vai melhorar a aprendizagem dos estudantes? Quais são as metas, os prazos e os recursos?
Essa briga para descobrir quem tem o maior gabinete do ódio é pequena demais diante do tamanho de Pernambuco. O eleitor não quer escolher quem ataca melhor. Quer saber quem está preparado para enfrentar os problemas reais do estado.

Por Augusto César