A mensagem “acabou chegando Hugo e Ciro aqui pra falarem com Alexandre”, enviada por Daniel Vorcaro à ex-namorada Martha Graeff em março de 2025 e recuperada pela PF, não é sobre desconhecidos: outras apurações já identificaram “Hugo” como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e “Ciro” como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) — que Vorcaro chamava de “um dos grandes amigos da vida”. O episódio ganhou novo destaque nesta terça (1º/9), quando André Mendonça retirou o sigilo do caso e a CNN Brasil voltou a publicar o diálogo completo.
A cena é grave por si só: o presidente da Câmara dos Deputados e um senador influente do Centrão se deslocando, de madrugada, à casa de um banqueiro sob investigação, especificamente para “falar com Alexandre” — ou seja, com um ministro do STF. Não se trata de um evento social genérico; é um encontro com propósito declarado de conversar com o próprio Moraes, dentro do círculo do homem hoje acusado de fraude bilionária.
As mensagens revelam ainda outros contatos de Vorcaro com Motta: em maio de 2025, o banqueiro disse que Motta “saiu daqui quase 3 da manhã. Queria saber de tudo no detalhe” — e, meses antes, relatou jantar na “residência oficial” ao lado de Motta e outros empresários. Motta, procurado pela imprensa à época, preferiu não comentar o teor das reuniões.

O padrão que emerge é o de um banqueiro sob suspeita de fraude bilionária circulando, com desenvoltura e intimidade declarada, entre a cúpula dos três Poderes — Judiciário, Legislativo e, por extensão, o Centrão que sustenta a base de governo. Quando um ministro do Supremo aparece como o motivo declarado da visita de duas das figuras mais poderosas do Congresso à casa de um investigado, a pergunta deixa de ser “quem são Hugo e Ciro” — já se sabe — e passa a ser o que, exatamente, havia para conversar com Moraes àquela hora da madrugada.

Por Augusto César