EDMAR LYRA – A nova Quaest mostra que a eleição presidencial entrou em setembro praticamente sem favorito para um eventual segundo turno. Lula e Flávio Bolsonaro aparecem empatados em 41%, mas o dado ganha outra dimensão quando confrontado com a evolução da avaliação do governo. Lula começou janeiro com 47% de aprovação e 49% de desaprovação, piorou até abril, quando chegou a 43% contra 52%, e depois iniciou uma recuperação: 46% a 49% em maio, 47% a 48% em junho e 48% a 47% em julho. Foi justamente naquele momento que o presidente abriu sua maior vantagem recente sobre Flávio no segundo turno: 45% a 37%. Desde então, as duas curvas voltaram a caminhar contra Lula. A aprovação caiu para 46% em agosto, 45% no início de setembro e agora 43%, enquanto a desaprovação chegou a 50%. Paralelamente, a vantagem eleitoral de oito pontos de julho caiu para três em agosto, um no começo de setembro e desapareceu agora: 41% a 41%.
A correlação não significa necessariamente causalidade, mas politicamente é difícil ignorá-la. O melhor momento eleitoral de Lula coincidiu com o único levantamento do ano em que sua aprovação, numericamente, superou a desaprovação. Agora ocorre exatamente o inverso: a diferença negativa voltou a sete pontos, a maior registrada pela Quaest em 2026. Existe ainda outro problema para o presidente. Sua rejeição, que havia recuado para 50% em julho, voltou para 52% em agosto e alcançou 53% em setembro. Flávio continua mais rejeitado, com 55%, mas a vantagem que Lula possuía nesse quesito diminuiu. Em julho, sete pontos separavam as rejeições dos dois — 57% contra Flávio e 50% contra Lula. Agora são apenas dois. Isso ajuda a explicar por que Flávio conseguiu crescer de 37% para 41% no confronto direto enquanto Lula recuou de 45% para 41%.
O cenário, porém, está longe de representar uma eleição resolvida para a oposição. Lula continua liderando o primeiro turno por 36% a 29%, e Flávio carrega um problema estrutural importante: 55% dos brasileiros dizem que não votariam nele. É um teto muito alto para quem precisa conquistar maioria absoluta num segundo turno. A questão é que Lula também possui rejeição majoritária, de 53%, e governa um país em que 50% desaprovam seu trabalho. Isso transforma a eleição numa disputa menos sobre quem possui a maior base e mais sobre quem conseguirá reduzir sua própria resistência ou aumentar a rejeição do adversário. Augusto Cury, com 8% no primeiro turno e rejeição de apenas 26%, adiciona outra variável: seus eleitores podem se tornar um dos segmentos mais disputados de uma eventual segunda rodada.
A fotografia da Quaest, portanto, é preocupante para Lula não simplesmente porque Flávio chegou aos mesmos 41%, mas porque os fundamentos que haviam permitido ao presidente abrir oito pontos em julho estão se desfazendo. Lula precisa recuperar aprovação para voltar a ampliar seu eleitorado; Flávio precisa reduzir rejeição para transformar o empate numa vantagem sustentável. Hoje, os dois chegam à reta final com rejeição superior a 50%, enquanto a desaprovação presidencial novamente supera a aprovação. A eleição pode até continuar mostrando Lula à frente no primeiro turno, mas o segundo turno tornou-se uma disputa completamente aberta. Se a experiência eleitoral mostra que presidentes bem avaliados possuem enorme vantagem na busca pela reeleição, o inverso também merece atenção. Com apenas 43% de aprovação e 50% de desaprovação, Lula chega a setembro numa situação muito mais vulnerável do que os números isolados do primeiro turno sugerem. A eleição de 2026 deixou de ser apenas uma disputa entre Lula e Flávio; tornou-se também um plebiscito sobre o governo — e é justamente nesse indicador que hoje reside a maior ameaça à reeleição do presidente.

Por Augusto César