Jornalista de formação, Maurício Melo Jr. começou com literatura infantojuvenil, nos anos 1990 (Divulgação)
Escritor pernambucano lança o seu quarto romance, ‘O Tardio’, destaque na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece até 13 de setembro
André Guerra – Edição que reforça a demanda pelo livro mesmo em tempos de aceleração digital, a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo segue com sua programação até o dia 13 de setembro. A proposta é intensificar o intercâmbio cultural entre países, com a Espanha ocupando o posto de país convidado e 800 autores nacionais e internacionais preparados para uma intensa troca com o público esperado nos próximos dias. O evento é organizado pela RX e realizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), que convidou o Diario para conferir a feira de perto.
Um dos autores de destaque deste ano é o pernambucano Maurício Melo Jr., que traz à Bienal seu quarto romance, intitulado “O Tardio”. Contando a história de dois irmãos que nunca se conheceram, a obra propõe uma provocação sobre gerações distintas. Roberto foi um jovem inquieto, guiado pela contracultura, que morreu no dia em que Sérgio nasceu. O irmão mais novo cresceu dentro de uma lógica completamente distinta, mas, ao decidir partir, tem sua vida transformada. Separados pelo tempo e unidos nas páginas da ficção, os irmãos acabam refletindo diferentes olhares sobre o Brasil.
“Queria explorar essa época da Ditadura Militar a partir desse diálogo entre duas épocas tão diferentes e, por isso, a narrativa começa em Palmares, mas percorre os grandes centros da contracultura dos anos 1970”, explica Maurício, em entrevista ao Diario durante a 28ª Bienal. “O assassinato do personagem Roberto é um grande tabu na família e, quando Sérgio vai em busca de reviver os lugares pelos quais o irmão passou, ele mesmo passa a entender muita coisa nova”.

Por Augusto César