A campanha de João Campos (PSB) chega a um momento decisivo na disputa pelo Governo de Pernambuco. Depois de apostar em diferentes estratégias para tentar mudar o cenário eleitoral, o socialista ainda não conseguiu produzir uma virada consistente nas pesquisas e agora tem pela frente um novo teste: o primeiro debate televisionado contra a governadora Raquel Lyra (PSD).
João apostou no apoio do presidente Lula como um dos principais trunfos de sua campanha. O petista declarou publicamente apoio ao candidato do PSB, e João também buscou nacionalizar a eleição pernambucana, associando Raquel ao campo bolsonarista.
A estratégia de polarização, porém, não foi suficiente até agora para colocar João numericamente à frente no levantamento mais recente da Quaest. A pesquisa divulgada nesta terça-feira (8) mostrou Raquel Lyra com 43% e João Campos com 37%. No levantamento anterior, de 25 de agosto, eram 44% para Raquel e 36% para João. Ou seja: ambos oscilaram apenas um ponto, dentro da margem de erro, mantendo um quadro de estabilidade.
O início do guia eleitoral também era visto como uma oportunidade importante para João ampliar sua exposição e tentar modificar a disputa. Mas os números da Quaest indicam que, até aqui, não houve uma mudança estatisticamente significativa entre os dois levantamentos. Uma análise do Jornal do Commercio avaliou justamente que essa estabilidade aumenta a pressão sobre João, já que ele precisa romper o atual patamar da disputa.
Agora, surge mais uma oportunidade — e talvez uma das mais importantes desta reta final.
O debate da próxima sexta-feira (11), promovido pela TV Nova Nordeste, coloca Raquel e João frente a frente, com perguntas diretas entre os candidatos, temas livres e sorteados e questionamentos de jornalistas. O encontro está marcado para as 21h.
Para João Campos, o confronto representa uma chance de criar um fato novo, pressionar a adversária e tentar encontrar no debate a reação que ainda não apareceu de maneira clara nas pesquisas.
Raquel, por outro lado, entra no confronto com a vantagem numérica registrada pela Quaest e com a missão de preservar sua posição. Caso consiga neutralizar os ataques, defender as entregas de sua gestão e apresentar desempenho considerado superior, poderá sair do debate fortalecida para a reta final.
João já apostou em Lula, tentou levar a eleição para a polarização nacional e aguardou o impacto do guia eleitoral. Até agora, nenhuma dessas estratégias produziu a virada esperada nas pesquisas.
A pergunta que começa a ganhar força nos bastidores da eleição é inevitável: o que João Campos ainda espera para mudar o jogo?
O debate pode representar uma de suas principais cartadas. Para Raquel, pode ser justamente a oportunidade de impedir a reação do adversário e encaminhar a reta final em posição ainda mais favorável — o “xeque-mate” político que seus aliados esperam, embora somente as pesquisas posteriores possam medir o verdadeiro impacto do confronto.

Por Augusto César