EDMAR LYRA – A disputa pelas duas vagas de Pernambuco no Senado ainda guarda espaço para mudanças importantes até o próximo dia 4 de outubro. Marília Arraes e Humberto Costa aparecem numericamente nas duas primeiras posições no Datafolha, seguidos por Mendonça Filho e Eduardo da Fonte. Mas existe uma variável que poderá mexer significativamente nessa ordem durante a reta final: a capacidade de Eduardo converter em voto para o Senado uma parcela do expressivo eleitorado que hoje está com a governadora Raquel Lyra.
O Datafolha apresenta uma fotografia bastante didática desse desafio. Raquel alcança 47% das intenções de voto para governadora, enquanto Eduardo registra 10% para o Senado. Naturalmente, não se pode estabelecer uma transferência automática entre eleições diferentes, sobretudo porque cada pernambucano terá direito a dois votos para senador. A distância de 37 pontos, entretanto, revela que existe um enorme contingente de eleitores da governadora que ainda não incorporou Eduardo como uma de suas opções. É justamente nesse universo que está a maior oportunidade do candidato do Progressistas.
A matemática mostra que Eduardo não precisaria promover uma transferência extraordinária para entrar definitivamente no jogo. Se conseguir converter aproximadamente 15% desse contingente ainda não associado ao seu nome, poderá acrescentar algo entre cinco e seis pontos ao desempenho atual e alcançar a faixa dos 15% ou 16%. Seria suficiente para deixar de ser apenas um perseguidor e entrar diretamente na disputa pela segunda vaga. Se essa conversão chegar perto de 20%, Eduardo poderia alcançar 17% ou 18%, transformando uma eleição hoje liderada por Marília e Humberto numa batalha extremamente aberta.
Há um componente político que favorece essa estratégia. Raquel chega às últimas semanas como favorita à reeleição, liderando Datafolha, Quaest e DataTrends e apresentando índices elevados de aprovação. A governadora possui, portanto, autoridade eleitoral para pedir aos seus eleitores que completem a chapa. Esse movimento já começou a aparecer publicamente, com Raquel reforçando o voto em Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha. Quanto mais explícita e repetitiva for essa vinculação, maior poderá ser a capacidade de transferência.
Para Eduardo, o segundo voto é particularmente importante. Ele não precisa necessariamente convencer um eleitor de Raquel a abandonar Marília, Humberto ou Mendonça. Como são duas vagas, basta tornar-se uma das duas escolhas. Isso reduz a resistência à conversão e permite uma campanha baseada numa mensagem simples: quem deseja Raquel governando Pernambuco também precisa ajudá-la a construir representação política no Senado.
As próximas pesquisas dirão se essa estratégia começou a funcionar. A faixa dos 15% tornou-se uma espécie de fronteira para Eduardo. Abaixo dela, continuará correndo atrás dos líderes. A partir dela, passa a integrar efetivamente o grupo com possibilidade de eleição. Aos 17% ou 18%, ninguém poderá descartá-lo.
Eduardo da Fonte não precisa, portanto, reinventar sua candidatura. Seu maior reservatório eleitoral já existe e está diante dele. Tem nome, liderança nas pesquisas e ocupa o Palácio do Campo das Princesas. Se Raquel conseguir transferir uma parcela relativamente pequena de sua força para o aliado, a disputa pela segunda vaga do Senado poderá ser muito diferente daquela mostrada pelas pesquisas de hoje.

Por Augusto César