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OPINIãO

Estabilidade marca a reta final em Pernambuco

Augusto César Por Augusto César
Estabilidade marca a reta final em Pernambuco

EDMAR LYRA – A disputa pelo Governo de Pernambuco entra nos últimos 15 dias antes do primeiro turno com um cenário de estabilidade, mas com uma movimentação importante quando os números são convertidos em votos válidos. A nova pesquisa DataTrends mostra Raquel Lyra com 46% das intenções de voto, João Campos com 38% e Ivan Moraes com 1%. Brancos e nulos somam 8% e 7% não sabem ou não responderam. No levantamento imediatamente anterior do instituto, realizado entre 7 e 9 de setembro, Raquel também tinha 46%, enquanto João aparecia com 36% e Ivan com 1%; brancos e nulos eram 8% e os indecisos, 9%. Ou seja: Raquel permaneceu numericamente no mesmo patamar, enquanto João avançou dois pontos, reduzindo a diferença de dez para oito pontos. 

A conversão para votos válidos torna essa movimentação mais clara. Considerando apenas os percentuais atribuídos aos candidatos, Raquel tinha aproximadamente 55,4% dos votos válidos na rodada anterior, João 43,4% e Ivan 1,2%. Agora, com 46%, 38% e 1%, respectivamente, a conta passa para aproximadamente 54,1% para Raquel, 44,7% para João e 1,2% para Ivan. Portanto, entre as duas rodadas, a governadora recua cerca de 1,3 ponto na conversão para votos válidos e João avança aproximadamente 1,3 ponto. É uma alteração limitada, mas relevante porque, nessa fotografia, Raquel permanece numericamente acima dos 50% dos votos válidos, patamar que, se reproduzido nas urnas, corresponde ao critério constitucional para definição da eleição no primeiro turno.

O restante do levantamento reforça a percepção de uma corrida que chega à fase decisiva sem grandes rupturas. No segundo turno, Raquel aparece com 49% e João com 41%, diferença de oito pontos. Na rodada anterior, eram 48% a 39%, uma distância de nove pontos. A aprovação da administração estadual passa de 68% para 67%. No potencial de voto, Raquel tem agora 34% que dizem votar nela com certeza e 21% que poderiam votar, enquanto João registra 29% de voto certo e 23% de voto potencial. O dado mais simétrico está na resistência: 37% afirmam que não votariam de jeito nenhum em Raquel e os mesmos 37% dizem isso sobre João. Na pesquisa anterior, essa rejeição era de 37% para Raquel e 36% para João. 

É justamente a comparação entre as duas rodadas que dimensiona o desafio desta reta final. João conseguiu recuperar dois pontos na intenção estimulada, enquanto Raquel permaneceu em 46%, mas o movimento ainda não produziu uma mudança estrutural na fotografia do DataTrends. A diferença caiu, porém a governadora continua numericamente à frente e acima da metade dos votos válidos nessa conversão. Para João, as próximas duas semanas representam uma janela para tentar ampliar o movimento registrado entre as duas pesquisas; para Raquel, o dado a acompanhar é se o percentual de votos válidos permanece acima de 50%. Pesquisa não é projeção do resultado e as margens de erro precisam ser consideradas. A fotografia disponível, porém, mostra uma disputa que chega aos últimos 15 dias com estabilidade predominante e uma redução moderada da distância entre os dois principais candidatos.