A política não perdoa prioridades equivocadas e é exatamente isso que pode custar caro a João Campos nas eleições de 2026.
Dados do Portal da Transparência da Prefeitura do Recife indicam que, entre 2021 e 2024, a gestão municipal destinou cerca de R$ 609 milhões para eventos, publicidade e ações institucionais. No mesmo período, apenas R$ 234 milhões foram investidos em ações de combate às enchentes um dos problemas mais graves e recorrentes da cidade.
A diferença não é apenas numérica. Ela revela uma escolha política.
Enquanto bairros enfrentam alagamentos, deslizamentos e insegurança em períodos de chuva, a gestão optou por investir quase três vezes mais em visibilidade do que em infraestrutura. Em uma capital historicamente afetada por eventos climáticos extremos, isso não passa despercebido pela população.
É nesse cenário que surge o contraste com Raquel Lyra. Com uma imagem associada à gestão técnica e administrativa, ela cresce no debate estadual como uma alternativa mais alinhada com eficiência e prioridades estruturais.
A eleição de 2026, portanto, tende a ser menos sobre carisma e mais sobre legado.
E quando o eleitor compara números, resultados e prioridades, a conta política começa a pesar. João Campos pode até ter construído uma base relevante, mas decisões como essa colocam em dúvida a condução da gestão.
Se esse sentimento se consolidar, o que hoje parece disputa pode se transformar em um recado claro das urnas.

Por Augusto César