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POLíTICA

QUAL A DIFERENÇA DE LULA PARA RAQUEL AO COMENTAR EM A MULHER FECHAR A PORTEIRA POIS JÁ TEM 5 FILHOS

Augusto César Por Augusto César
QUAL A DIFERENÇA DE LULA PARA RAQUEL AO COMENTAR EM A MULHER FECHAR A PORTEIRA POIS JÁ TEM 5 FILHOS

A diferença central entre as declarações de Lula e Raquel Lyra está na gravidade institucional e jurídica dos comentários sobre os direitos reprodutivos de mulheres com muitos filhos. Ambos deram declarações polêmicas que geraram forte reação pública, mas em contextos e com implicações muito distintas:

Embora o termo utilizado (“fechar a porteira”) tenha gerado fortes críticas e debates na época pelo tom informal ou considerado inadequado para a situação, em nenhum momento o termo citado na publicação foi proferido.

1. Presidente Lula: O comentário sobre “fechar a porteira”

  • O Contexto: Em maio de 2024, em Alagoas, durante a entrega de casas do programa Minha Casa, Minha Vida, o presidente Lula relatou um diálogo que teve com uma beneficiária de 27 anos que tinha 5 filhos. Ele disse que perguntou à mulher: “Companheira, quando é que vai fechar a porteira, companheira? Não pode mais ter filho”.
  • A Justificativa: Lula complementou dizendo que era preciso ela se cuidar, pois a responsabilidade principal de criar os filhos é dos pais, ressaltando que “nem sempre o Estado cuida, nem sempre a religião cuida”.
  • A Repercussão: A declaração foi amplamente criticada pela oposição e por movimentos sociais devido ao tom informal considerado machista e invasivo em relação ao corpo e ao planejamento familiar da mulher. Contudo, ficou no plano da retórica informal.

2. Governadora Raquel Lyra: A sugestão de “fazer sem ela saber”

  • O Contexto: Em setembro de 2026, viralizou um vídeo (gravado originalmente em 2025) de uma agenda da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, na inauguração de leitos em Garanhuns. Ao ouvir a história de uma mãe com 7 filhos, a governadora declarou: “Aí tem que fazer laqueadura, visse? A gente bota na fila da laqueadura. Isso eu posso fazer. Mas faz sem ela saber”.
  • A Repercussão Jurídica: A fala de Raquel Lyra causou uma crise política severa durante o período eleitoral. Diferente de Lula, a fala sugeriu a realização de um procedimento cirúrgico de esterilização sem o consentimento da paciente, o que viola a Lei do Planejamento Familiar (Lei nº 9.263/1996) e constitui crime grave no Brasil.
  • O Pedido de Desculpas: Diante do impacto massivo e dos ataques de adversários políticos, Raquel Lyra foi a público se desculpar, classificando sua própria fala como “infeliz”, “equivocada” e afirmando que o comentário não reflete o respeito que possui pelas mulheres

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), voltou a pedir desculpas nesta segunda-feira (21) por ter sugerido, em uma conversa registrada dentro de um hospital, que uma mulher fosse submetida à fila de laqueadura sem saber. Raquel classificou a própria fala como errada e disse ter ficado indignada ao assistir às imagens.

“Fiz uma fala equivocada, errada, e, quando vi o vídeo gravado há alguns anos na cidade de Garanhuns, eu me indignei comigo mesma e peço desculpas por isso”, afirmou durante uma sabatina promovida pelo Sindicato dos Hospitais de Pernambuco, no Recife.

O vídeo foi gravado em 21 de maio de 2025, durante a inauguração da ala pediátrica do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns. As imagens foram divulgadas no domingo (20).

Na gravação, uma mulher relata que uma paciente com sete filhos estava grávida novamente. Raquel responde que ela deveria ser colocada na fila para realizar uma laqueadura e acrescenta: “Mas faz sem ela saber, vai”. Não há informação de que o procedimento tenha sido realizado.

Raquel já havia se desculpado no domingo, poucas horas depois da divulgação do vídeo. Na primeira manifestação, afirmou que o comentário não traduzia o respeito que tem pelas mulheres e declarou que não possui “compromisso com o erro”.

Durante a sabatina desta segunda, a governadora afirmou que sua trajetória política tem sido marcada pela defesa da independência e da autonomia feminina. “Todo o meu trabalho e minha luta política têm sido, ao longo da minha vida, permitir que as mulheres possam ter independência, autonomia e a oportunidade de guiar os próprios passos”, declarou.

Raquel também citou políticas públicas implementadas durante seus mandatos, como a criação da Clínica da Mulher e a construção de uma maternidade em Caruaru, além de investimentos estaduais na assistência à saúde feminina. “Que falem por mim sempre as minhas ações e as minhas atitudes”, completou.