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ECONOMIA

Pernambucano cria ponte financeira entre Brasil e China com novo banco digital

Augusto César Por Augusto César
Pernambucano cria ponte financeira entre Brasil e China com novo banco digital

De acordo com o Gildo Baptista (à direita), o projeto é fruto de demandas reais observadas durante missões empresariais organizadas pelo Grupo Teleport, que é presidido por ele. Foto: arquivo pessoal

Projeto liderado pelo empresário Gildo Baptista Jr. prevê integração inédita entre o sistema PIX e a moeda chinesa yuan para facilitar negócios

Edward Pena – Uma nova iniciativa financeira liderada pelo empresário pernambucano Gildo Baptista Jr. promete transformar a relação comercial entre o Brasil e o gigante asiático. O China Brasil Bank (CBB), um banco digital focado em conectar os mercados brasileiro e chinês, planeja iniciar suas atividades no Brasil ainda neste semestre. A expectativa é que a operação física na China seja consolidada até o fim de 2026, servindo como um suporte estratégico para empreendedores brasileiros que buscam desbravar o oriente.

​De acordo com o empresário, o projeto é fruto de demandas reais observadas durante missões empresariais organizadas pelo Grupo Teleport, que é presidido por ele. Nessas viagens, explica, ficou clara a barreira que os brasileiros enfrentam com meios de pagamento locais e o acesso bancário restrito.

“O projeto surgiu das dúvidas e da necessidade de segurança que identificamos em cada um dos empresários que viajam conoco para a China”, revelou Gildo ao Movimento Econômico.

Foco na integração tecnológica entre PIX e Yuan

O grande diferencial do CBB será a tentativa de integrar tecnologicamente sistemas de países distintos. Atualmente, Gildo e sua equipe trabalham na construção de um time técnico em Macau para desenvolver as ferramentas necessárias.

O objetivo é criar uma ponte direta entre o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro e a moeda chinesa. “Vamos nos esforçar para ainda esse ano criar uma API para conectar o nosso PIX com o yuan”, afirma o empresário.

​Para viabilizar essa operação em um ambiente regulatório rigoroso como o chinês, o banco optou por um modelo de parcerias estratégicas. Em vez de buscar licenças do zero, o CBB pretende utilizar a infraestrutura de players já consolidados.

Segundo o empresário, isso permitirá uma entrada mais rápida no mercado, começando por áreas especiais como Macau e Hong Kong antes de avançar para a China Continental.

Macau como porta de entrada estratégica

A escolha de Macau para incubar o projeto não foi por acaso. A cidade, que foi colônia portuguesa por 400 anos, mantém uma herança lusófona que facilita o diálogo. Gildo explica que existem vantagens logísticas claras, já que a cultura e a burocracia estatal ainda guardam semelhanças com o modelo ocidental.

“Muitos da nova geração estão estudando o português, o que facilita nossa desenvoltura, por isso escolhemos Macau pra iniciar”, comenta.

​Além da facilidade do idioma, estar em Macau posiciona o CBB como um hub para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A estratégia de expansão prevê que, após a consolidação do eixo Brasil-China, o banco leve suas operações para Portugal e para as nações africanas de língua portuguesa, onde a demanda por conexões com o mercado asiático também é crescente.

Consultoria e crédito com taxas atrativas

Diferentemente dos bancos tradicionais, o CBB quer atuar fortemente como um facilitador. O objetivo é ajudar empresas brasileiras a acessarem as linhas de crédito disponíveis no sistema financeiro chinês, que podem chegar a taxas de 2% ao ano com prazos de carência generosos.

No entanto, para isso, é necessário que a empresa tenha uma subsidiária constituída em solo chinês. ​“Vamos ajudar desde a consultoria inicial para a empresa ser elegível para poder se habilitar aos recursos financeiros que estão disponíveis para empresas abertas na China”, explica Gildo.

O banco pretende ser o braço direito do pequeno e médio empresário, permitindo que eles participem de um mercado que atualmente é dominado quase inteiramente por grandes exportadores de commodities como soja, minério de ferro e petróleo.

Soluções para o turismo e o fim do visto

A operação também mira o turismo. Com o fim da exigência de vistos entre Brasil e China no segundo semestre de 2025, o fluxo de viajantes deve disparar. O desafio é que, na China, cartões de crédito ocidentais são pouco aceitos, dominados pelos aplicativos WeChat e Alipay.

O CBB pretende emitir cartões que funcionem mutuamente nos dois países, garantindo que o chinês pague seu almoço no Brasil e o brasileiro pague suas compras na China sem atritos.

​O empresário destaca que o momento é de “ousadia e risco calculado”. Ele ressalta que 2026 foi decretado pelo governo chinês como o “Ano do Brasil na China”, o que abre janelas de oportunidades sem precedentes.

“É um ano de mudanças profundas e ousadas. A energia do fogo simboliza transmutação e crescimento, encorajando indivíduos a abraçarem novos caminhos”, afirma, citando o simbolismo do calendário lunar chinês para o período.

Desafios de cibersegurança e compliance

Atuar entre o Ocidente e a China exige um sistema de governança resiliente, ressalta o empresário. Gildo Baptista Jr. garante que o banco operará estritamente dentro das legislações do Banco Central do Brasil (Bacen) e das novas leis bancárias que a China está modernizando em 2026. A meta é ser pioneiro na criação de uma infraestrutura que conecte os dois mundos financeiros de forma transparente e segura.

​O projeto busca, em última análise, democratizar o comércio exterior. Ao oferecer suporte para o “usuário pequeno”, o CBB quer permitir que produtos industrializados brasileiros, valorizados pela energia limpa usada em sua produção, cheguem aos 400 milhões de consumidores da classe média alta chinesa, equilibrando uma balança comercial que hoje é excessivamente dependente de matéria-prima bruta.

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