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Edmar Lyra – A nova pesquisa do Instituto DataTrends para o Senado Federal, divulgada nesta sexta-feira (8), consolida a liderança de Marília Arraes na corrida pelas duas vagas que estarão em disputa em Pernambuco em 2026. Em todos os cenários apresentados, a ex-deputada aparece em posição confortável, chegando a atingir 49% das intenções de voto, desempenho que demonstra recall eleitoral elevado, capilaridade política e um patrimônio de votos consolidado desde as eleições de 2022.
O levantamento também evidencia a força do senador Humberto Costa, que aparece como principal nome na disputa pela segunda vaga, sobretudo no cenário sem Marília. Ainda assim, a fotografia eleitoral está longe de representar um quadro definitivo. O dado mais relevante da pesquisa talvez não esteja apenas na liderança dos candidatos mais conhecidos, mas no gigantesco contingente de eleitores indecisos e nos elevados índices de brancos e nulos, que em alguns cenários ultrapassam a marca de 50%.
Esse número revela que a eleição para o Senado ainda está aberta e extremamente dependente das composições majoritárias para o Governo do Estado. Em Pernambuco, historicamente, candidaturas ao Senado costumam crescer fortemente vinculadas aos palanques estaduais competitivos. É justamente nesse ponto que entram os pesos políticos da governadora Raquel Lyra e do ex-prefeito do Recife João Campos.
Os nomes colocados ainda não demonstram, neste momento, desempenho capaz de ameaçar diretamente a liderança de Marília Arraes. Porém, o cenário pode mudar significativamente quando a campanha ganhar intensidade e os palanques forem oficialmente montados. A estrutura política, o tempo de televisão, a presença nas ruas e o poder de transferência de voto do ex-prefeito do Recife e da governadora tendem a ser fatores decisivos.
A pesquisa sugere que a disputa pelo Senado poderá ser menos uma corrida individual e mais uma eleição de alianças. Marília larga na frente porque mantém forte identidade própria junto ao eleitorado e ocupa um espaço político consolidado no campo oposicionista. Mas os adversários ainda apostam que a força das máquinas políticas estaduais e municipais poderá reorganizar o jogo.
Com mais de um terço do eleitorado ainda indeciso em praticamente todos os cenários, a corrida está aberta para crescimento. E, em Pernambuco, poucas variáveis têm tanto peso eleitoral quanto estar ao lado do governador ou do favorito ao Palácio do Campo das Princesas.

Por Augusto César