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OPINIãO

Prefeitos entram em campo para montar bancadas próprias na Alepe em 2026

Augusto César Por Augusto César
Prefeitos entram em campo para montar bancadas próprias na Alepe em 2026

Foto: Divulgação

EDMAR LYRA – A disputa por vagas na Assembleia Legislativa de Pernambuco em 2026 começa a ganhar contornos cada vez mais municipalistas e familiares. Historicamente, prefeitos aproveitam o capital político acumulado na metade de seus mandatos para tentar eleger aliados à Casa de Joaquim Nabuco, fortalecendo não apenas seus grupos locais, mas também consolidando influência regional. O movimento, que tradicionalmente ocorre em cidades de todos os portes, desta vez se desenha de maneira ainda mais intensa, envolvendo prefeitos de grandes colégios eleitorais, lideranças emergentes e estruturas familiares inteiras mobilizadas para garantir representação na Alepe. O cenário aponta para uma eleição marcada pela força das máquinas municipais e pelo peso das articulações regionais.

Em cidades estratégicas, os projetos já estão claramente definidos. Em Jaboatão dos Guararapes, o prefeito Mano Medeiros trabalha para eleger sua esposa, Andrea Medeiros, pelo PSD, enquanto em Caruaru o prefeito Rodrigo Pinheiro aposta no nome de Anderson Luiz, também filiado ao PSD. No Ipojuca, o prefeito Carlos Santana articula a candidatura de Lara Santana, do PV, substituindo Simone Santana, que decidiu não disputar a reeleição. Já no Cabo de Santo Agostinho, o prefeito Lula Cabral pretende transferir capital político para o irmão, Batista Cabral, que disputará pelo PSB.

O movimento se espalha também pelo interior e pela Mata Sul. No litoral sul, o prefeito Júnior de Irmã Teca pretende lançar o ex-prefeito Zé de Irmã Teca pelo PSD, enquanto a prefeita Elcione Ramos decidiu apostar no filho, César Ramos, como representante do grupo político na Alepe. Em Gravatá, o prefeito Padre Joselito escolheu a primeira-dama Viviane Facundes para a disputa, também pelo PSD. Já em Serra Talhada, a prefeita Márcia Conrado trabalha para eleger o marido, Breno Araújo, pelo PT. Em Petrolândia, o prefeito Fabiano Marques tenta emplacar Bruno Marques com uma expressiva votação pelo PSB. Além desses casos, municípios como Abreu e Lima, João Alfredo, Paulista e Olinda também devem apresentar candidaturas fortemente vinculadas aos atuais prefeitos.

A quantidade de nomes competitivos e o peso político das prefeituras envolvidas elevam a expectativa para uma das disputas proporcionais mais acirradas dos últimos anos em Pernambuco. Mais do que simplesmente ampliar bancadas partidárias, os prefeitos enxergam a eleição para deputado estadual como instrumento estratégico de fortalecimento político, ampliação de influência junto ao Governo do Estado e construção de projetos de longo prazo. Em muitos casos, a eleição de aliados ou familiares representa ainda a tentativa de garantir continuidade administrativa e preservar o comando político local para os próximos ciclos eleitorais. A tendência é de que a campanha de 2026 seja marcada por uma forte interiorização das disputas, pelo protagonismo das estruturas municipais e por uma intensa guerra de articulações regionais nos bastidores da política pernambucana.

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