Obra foi inaugurada antes da conclusão
Obra que tem indícios de superfaturamento e cabanas a R$ 44,5 mil passou de R$ 18,8 milhões para R$ 22,1 milhões com aditivo assinado no último dia 21
MANOEL MEDEIROS – A obra da segunda etapa do Parque da Tamarineira, na Zona Norte do Recife, teve um novo aumento de custo. Um termo aditivo assinado em 21 de julho elevou o valor final do contrato em R$ 3,27 milhões, fazendo o custo final da etapa saltar de R$ 18,8 milhões para R$ 22,1 milhões. Sob responsabilidade da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), o contrato é executado pela Construtora FJ Ltda., realizadora de várias obras de parques e praças da gestão do PSB no Recife. Um dos sócios da empresa teria ligação pessoal com o blogueiro Magno Martins, informação que é negada pelo jornalista.
O aditivo vem à tona quatro meses após o ex-prefeito João Campos (PSB) ter inaugurado o espaço e próximo à conclusão de procedimento interno de fiscalização do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) em torno de suspeitas de valores superfaturados, a exemplo de cabanas de madeira instaladas por R$ 44,5 mil cada. Outro aditivo já havia sido assinado adiando a conclusão da obra para a primeira semana de outubro.
O jornalista e economista Manoel Medeiros, titular deste espaço, enviou ofício em maio deste ano ao Ministério Público de Contas do Estado relatando os indícios de irregularidades e enviará uma nova peça solicitando, dentro das possibilidades cabíveis, apreciação deste novo aditivo contratual.
O aditivo altera o contrato nº 6.034/2025, firmado para a “complementação da infraestrutura urbanística e paisagística do Parque da Tamarineira (2ª etapa)”, incluindo a ampliação das áreas de uso público, acessibilidade e implantação de elementos integradores à etapa anterior. O termo prevê o acréscimo de serviços extras e excedentes num percentual de 17,41% em relação ao valor original do contrato, o equivalente a R$ 3.273.683,08.

A segunda etapa da obra foi entregue de forma incompleta e às pressas, com o fim efetivo dos serviços empurrado para depois do evento de inauguração — o que agora se confirma com a assinatura de um aditivo contratual quatro meses após a entrega simbólica.
Entre os pontos com indícios de superfaturamento, aparecem o alto custo do paisagismo da segunda etapa, próximo a R$ 2,6 milhões, além de deficiências na execução da drenagem do espaço, que incluiu investimentos de cerca de R$ 3,0 milhões. Um exemplo de item que chamou atenção nas planilhas da obra são as cabanas de madeira instaladas no parque, orçadas em R$ 44,5 mil cada uma — valor apontado como indício de sobrepreço.
O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco abriu o procedimento interno de fiscalização (PI) nº 2600479 para fiscalizar a execução da obra, atualmente em fase de instrução. A previsão é de que o relatório preliminar da equipe técnica do Tribunal seja concluído até o dia 14 de agosto de 2026.
O caso se soma a outro histórico de questionamentos do TCE-PE sobre obras da Prefeitura do Recife no mesmo parque: a primeira etapa da Tamarineira, entregue em 2023, já havia sido alvo de auditoria da Corte de Contas, que apontou superfaturamento e contratações sem licitação específica — apontamentos contestados à época pela Prefeitura.

Por Augusto César