Da Redação – A advogada Myriam Gadelha, ex-namorada do candidato a deputado federal Fábio Tyrone (PSB-PB), acusou o presidente nacional do PSB e candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos, de omissão diante da permanência do ex-prefeito de Sousa na legenda.
Em vídeo feito no último sábado (26), ao qual nosso portal teve acesso com exclusividade, ela questionou por que o PSB manteve Tyrone em seus quadros mesmo após sua condenação por violência doméstica.
A crítica ganhou novo peso depois da revelação de que Tyrone foi o candidato do PSB à Câmara dos Deputados na Paraíba que mais recebeu recursos do fundo eleitoral neste ano. Segundo levantamento divulgado o último domingo (27), foram destinados R$ 1,5 milhão à campanha dele.
A direção nacional do PSB afirmou que a definição dos valores destinados aos candidatos paraibanos ficou a cargo do diretório estadual.
“Se eu pudesse fazer uma pergunta a João Campos: por que ele está protegendo um agressor de mulheres?”, afirmou Myriam. Fábio Tyrone foi condenado pela Justiça da Paraíba por agredir Myriam em 2018. O Tribunal de Justiça da Paraíba manteve, em 2024, a condenação por agressões contra a então namorada. Neste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reduziu a pena de um ano e quatro meses para dez meses e 25 dias.
No vídeo, Myriam relembrou a violência que sofreu quando Tyrone ainda era prefeito de Sousa, no Sertão paraibano. “Começou a me xingar, me xingou de puta, de vadia. Quando chegamos em casa, ele me trancou dentro de um quarto e passou a continuar a me xingar e passou a me bater até me jogar no chão”, relatou.
Segundo ela, as consequências ultrapassaram os ferimentos físicos. “Fiquei mais ou menos um mês com sequelas físicas. Acho que no rosto, no corpo, os hematomas. As consequências emocionais permanecem até hoje”, afirmou. Myriam também criticou a ausência, segundo ela, de consequências políticas para Tyrone dentro do PSB. Em 2023, a Executiva Nacional do PSB Mulher e o Conselho Político de Mulheres da sigla aprovaram por unanimidade um pedido para que o então prefeito fosse expulso do partido.
Neste ano, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), esposa de João Campos, também anunciou que encaminharia o caso ao Conselho de Ética da legenda e declarou que não poderia haver tolerância com casos de violência contra mulheres. Myriam, porém, afirmou que nenhuma providência efetiva foi tomada.
“Houve um vídeo que foi gravado falando do meu caso. A deputada Tabata Amaral se manifestou no vídeo, disse que ia levar o caso à Comissão de Ética do partido. E nada, nada foi feito. Passou 2023, 2024, 2025, 2026 e o PSB Mulher não foi ouvido”, disse.
Ela também criticou João Campos por ter recebido Tyrone no Recife quando o paraibano já se apresentava como pré-candidato a deputado federal. “Ele recebeu o Tyrone no Recife, recebeu já na condição de pré-candidato. E ele já sabia porque já tinha pedido de expulsão do PSB Mulher. Então João Campos participou do meu processo de revitimização. Ele me revitimizou. Ficou literalmente ao lado de Tyrone”, afirmou.
No vídeo, Myriam cita um repasse de R$ 1,8 milhão e questiona a decisão política de financiar a candidatura. “Aí o partido aceitar que ele seja candidato e ainda destinar R$ 1,8 milhão para a candidatura dele, eu queria saber o porquê. O que vai além da omissão”, afirmou.
O OUTRO LADO
Ao portal UOL, o PSB informou que João Campos solicitou a expulsão de Tyrone e que o caso foi encaminhado ao Conselho Nacional de Ética da legenda. O partido, no entanto, atribuiu ao diretório estadual da Paraíba a responsabilidade pela distribuição dos recursos eleitorais.
Myriam também afirmou que a manutenção de Tyrone na disputa representa uma forma de revitimização e pode desestimular outras mulheres a denunciarem episódios de violência doméstica. “Isso descredibiliza não só a minha história, mas descredibiliza a história de inúmeras mulheres que estão passando por isso todos os dias”, disse.
Veja o vídeo

Por Augusto César