Pular para o conteúdo
Version 1.0.0
STF

MARIO SABINO: “É INEVITÁVEL” QUE MENDONÇA PEÇA AO PLENO DO STF AUTORIZAÇÃO PARA INVESTIGAR MORAES

Augusto César Por Augusto César
MARIO SABINO: “É INEVITÁVEL” QUE MENDONÇA PEÇA AO PLENO DO STF AUTORIZAÇÃO PARA INVESTIGAR MORAES

Até a PF confirmar o destinatário, o ministro negava ser ele — ou seja, escreve Sabino sem meias palavras, “Alexandre de Moraes mentiu”. – Em coluna no Metrópoles, Mario Sabino argumenta que André Mendonça, ao pedir informações complementares à PGR sobre as mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, “apanhou três coelhos de uma só cajadada” — o maior deles sendo o próprio Moraes. Não há mais dúvida de que as mensagens eram destinadas a Moraes, e que ele as respondia em modo de visualização única “para não deixar traços”. Até a PF confirmar o destinatário, o ministro negava ser ele — ou seja, escreve Sabino sem meias palavras, “Alexandre de Moraes mentiu”.

O grau de proximidade revelado pelas mensagens completas, publicadas pelo Estadão, é “escandaloso”. Em 30 de outubro, Vorcaro disse a Moraes que mudaria data de viagem a Abu Dhabi “para conseguir te ver”. Na mesma mensagem, relatou pressão do Banco Central sobre o Master e pediu: “É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem”. Dias antes de sua prisão, insistiu: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, o banco não quebra” e “acha que segunda já tenho de estar fora?” — pergunta que antecedeu em 48 horas sua tentativa real de fuga ao exterior. É inadmissível, e mais que isso: revela um ministro do Supremo funcionando como conselheiro de fuga de um suspeito foragido, num nível de intimidade incompatível com qualquer noção de imparcialidade judicial.

Encerra-se também a defesa de Moraes quanto ao contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de sua mulher, Viviane Barci: “não dá mais para ele dizer que nada tinha a ver com o acordo”, já que os metadados confirmam que foi o próprio ministro quem editou a versão final do documento. A justificativa do escritório — de que o compliance apenas consultou o ministro sobre impedimentos — é, nas palavras de Sabino, “desculpa esfarrapada”: “é gozar com quem trabalha”.

Diante do conjunto de fatos, Sabino conclui que “torna-se incontornável” que Mendonça leve ao plenário o pedido de autorização para investigar Moraes — e advertiu: se a Corte negar, “é porque já não há mais juízes em Brasília e, portanto, Justiça no Brasil”.

Não é exagero retórico: um ministro que mente sobre seu contato com o principal suspeito de uma fraude bilionária, que o orienta em momento de fuga iminente e que edita pessoalmente um contrato milionário da própria família com o mesmo banqueiro configura, em conjunto, a maior crise institucional da história do STF — mais grave que qualquer embate anterior entre ministros, porque desta vez o que está em xeque não é uma rusga de bastidores, é a própria capacidade da Corte de julgar a si mesma.