Pular para o conteúdo
Version 1.0.0
STF

VORCARO PAGOU ESCRITÓRIO DE VIVIANE MORAES COM COTAS DE JATINHO LEGACY E HELICÓPTERO, REVELA PF

Augusto César Por Augusto César
VORCARO PAGOU ESCRITÓRIO DE VIVIANE MORAES COM COTAS DE JATINHO LEGACY E HELICÓPTERO, REVELA PF

[1] Um segundo contrato encontrado nas investigações do caso Master mostra que Daniel Vorcaro previu pagar R$ 50 milhões ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, por meio da transferência de cotas de duas aeronaves: um jato Legacy 650 (prefixo PP-NLR) e um helicóptero EC155 B1. O documento, datado de 19 de maio de 2025, foi firmado entre a Viking Participações — holding patrimonial de Vorcaro — e o escritório Barci de Moraes, com R$ 40 milhões quitados nas cotas dos veículos e R$ 10 milhões destinados a reembolso de despesas de voo.

[2] Mensagens obtidas pela PF mostram que a advogada já usufruía das aeronaves antes mesmo de qualquer contrato formal: um funcionário da Prime You, empresa de compartilhamento de aeronaves ligada a Vorcaro, perguntou a Viviane se estava “gostando da utilização das cotas de vocês” — ela respondeu: “Sim, estamos gostando muito.” O relatório da PF classifica essa troca como evidência de que Viviane “exercia domínio de fato sobre os bens”, independentemente de o contrato ter sido formalmente concluído.

[3] As conversas revelam ainda preocupação explícita com exposição pública: o advogado Leonardo Palhares, ligado a Vorcaro, explicou que “queriam que a empresa que fosse dona do ativo fosse uma em que os sócios estão muito visíveis, e haveria risco reputacional grande” — ou seja, uma estrutura societária pensada deliberadamente para dissociar o nome de Viviane do bem que ela usava. Em nota, o escritório Barci de Moraes afirma que a negociação das aeronaves não foi concluída e que nenhum contrato chegou a ser assinado.

Ainda que a defesa negue a formalização, o padrão de conduta já documentado é o mesmo dos R$ 131 milhões do contrato de honorários editado por Moraes: benefícios de alto valor fluindo da órbita de Vorcaro para a família do ministro, sempre com engenharia jurídica voltada a reduzir a visibilidade da ligação.

Usar um jato antes de discutir se o contrato “vale” ou não é, na prática, já ter recebido o benefício — o resto é apenas papelada tentando alcançar o fato consumado.