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STF

“TOMARA QUE TENHA CHARUTO E MACALLAN”: MENSAGENS MOSTRAM GONET TRATANDO VORCARO COM INTIMIDADE E ACEITANDO VIAGEM BANCADA A LONDRES

Augusto César Por Augusto César
“TOMARA QUE TENHA CHARUTO E MACALLAN”: MENSAGENS MOSTRAM GONET TRATANDO VORCARO COM INTIMIDADE E ACEITANDO VIAGEM BANCADA A LONDRES

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela PF, tornadas públicas nesta terça-feira (1º/9) por decisão de André Mendonça, mostram o procurador-geral da República, Paulo Gonet, planejando fumar charuto e beber uísque Macallan com o banqueiro em Londres, na segunda edição de um Fórum Jurídico patrocinado pelo Banco Master — evento que acabou cancelado. O canal entre os dois era Ciro Soares, ex-defensor do Master, que fazia a ponte das mensagens.

Em 28 de março de 2025, Soares repassou a Vorcaro que Gonet “está com saudade” dele e “o adora”. Vorcaro respondeu: “Agradece muito o carinho. Saudades dele, vamos marcar de estar juntos.” Ao confirmar a ida do procurador a Londres, Soares encaminhou a reação de Gonet à degustação: “Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan” — Vorcaro respondeu, em tom de gozação, que “agora vai ter que ter plantação de charuto e barril de Macallan”. Dias antes, Soares já havia mandado a Vorcaro uma foto ao lado do procurador com o recado “liga aqui, ele quer falar com você”, seguido de quatro ligações em poucos minutos.

Não foi a primeira vez: no ano anterior, Gonet já tinha ido à primeira degustação de uísque bancada por Vorcaro, ao lado do ministro Alexandre de Moraes e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues — reunindo, sob o mesmo patrocínio, o procurador-geral, um ministro do STF e o chefe da PF que hoje apura o próprio banco. As mensagens mostram ainda que Vorcaro topou pagar a viagem a Londres também do filho de Gonet, Pedro — pedido feito pelo próprio procurador, respondido por Vorcaro com um simples “óbvio”. Procurado, Gonet não se manifestou até o fechamento da coluna.

O que essas mensagens expõem vai além de uma amizade inconveniente: é o mesmo Gonet que agora precisa se manifestar, em cinco dias, sobre o relatório da PF que envolve Moraes — e que já aceitava charuto, uísque e passagens pagas pelo alvo dessa mesma investigação. Um procurador-geral que trata o investigado como amigo de longa data não inspira confiança de que vai tratá-lo como investigado.