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ECONOMIA

Raquel Lyra aposta no destravamento do orçamento 

Augusto César Por Augusto César
Raquel Lyra aposta no destravamento do orçamento 

Foto: Divulgação

Edmar Lyra – Mesmo com uma semana legislativa encurtada pelo feriado, o Palácio do Campo das Princesas mantém a pressão sobre a Assembleia Legislativa de Pernambuco para destravar um dos temas mais sensíveis da gestão estadual: a flexibilização do orçamento. A governadora Raquel Lyra aposta na votação do ajuste da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, elevando para 20% o limite de remanejamento de recursos, como peça-chave para garantir governabilidade. O argumento é técnico, mas o ambiente é político. Ao afirmar que Pernambuco é o único estado com orçamento “incompleto”, a gestora amplia o tom de urgência e transfere ao Legislativo parte do ônus pela paralisia administrativa.

O impasse, no entanto, está longe de ser apenas procedimental. A inclusão do ajuste por meio de emenda no projeto de remanejamento para o Tribunal de Justiça expôs fissuras internas, especialmente na Comissão de Finanças. Deputados de oposição reagiram à falta de comunicação prévia e formalizaram questionamentos, elevando o nível de desconfiança. O episódio revela que, mesmo com maioria numérica no plenário, o governo ainda enfrenta dificuldades na articulação fina dentro das comissões — espaços onde o controle da pauta pode redefinir o jogo. A disputa não é apenas sobre percentuais, mas sobre quem dita o ritmo e o conteúdo das votações.

O histórico recente ajuda a entender a tensão. A aprovação da LOA no fim de 2025 com a limitação de 10% por unidade orçamentária, seguida do veto governamental e da manutenção desse veto pelos deputados, criou um cenário atípico: o remanejamento foi, na prática, zerado. Desde então, o governo tenta recompor sua margem de manobra, sem sucesso pleno. A estratégia agora é clara: levar a decisão ao plenário, onde a base governista tende a prevalecer. O apelo indireto ao presidente da Casa, Álvaro Porto, para pautar a matéria explicita que o controle da agenda legislativa se tornou o verdadeiro campo de batalha.

Paralelamente, Raquel Lyra procura blindar sua gestão do calendário eleitoral. Ao reforçar que este é “o primeiro ano dos próximos”, a governadora sinaliza intenção de continuidade política, ao mesmo tempo em que tenta evitar a contaminação das decisões administrativas pela disputa nas urnas. Na área de segurança pública, o discurso é de consolidação: a queda nos indicadores de violência é apresentada como ativo político e justificativa para a manutenção — ou ampliação — dos investimentos. No fim das contas, o embate em torno do orçamento é mais do que técnico: é um teste de força que antecipa o clima de 2026 e mede, na prática, a capacidade do governo de transformar maioria potencial em poder efetivo.

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