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DENUNCIA

TCE recebe pedido de cautelar para suspender 220 novos terceirizados na Secretaria de Articulação Política do Recife às vésperas da eleição

Augusto César Por Augusto César
TCE recebe pedido de cautelar para suspender 220 novos terceirizados na Secretaria de Articulação Política do Recife às vésperas da eleição

TCE vai avaliar cautelar para suspender centenas de novos terceirizados na Articulação Política da Prefeitura às vésperas da eleição – Foto: Alysson Maria/TCE

Com os novos contratos, Secretaria passa a ter até 753 terceirizados com custo de até R$ 48 milhões/ano; Manoel Medeiros levou caso ao TCE e diz que não há “interesse público ou justificativa técnica” que justifique farra de terceirizados na Pasta

A contratação de novos 220 cargos terceirizados, de livre escolha e sem concurso, para a Secretaria de Articulação Política da Prefeitura do Recife às vésperas da eleição está sendo oficialmente contestada no Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) via processo de medida cautelar. O relator do processo é o conselheiro Rodrigo Novaes, que tem dez dias para se posicionar, conforme resolução da própria Corte de Contas.

Apresentado nessa segunda-feira pelo jornalista e economista Manoel Medeiros, titular deste espaço, o pedido objetiva suspender a efetividade das contratações, já que não há justificativa plausível para a Pasta incluir mais 80 coordenadores, 70 analistas administrativos e 70 auxiliares administrativos a um custo de R$ 1,2 milhão por mês.

No último dia cinco de agosto, o prefeito Victor Marques (PCdoB) assinou uma suplementação de orçamento garantindo mais R$ 15,1 milhões para a Secretaria de Articulação Política e Social contratar mais terceirizados, fato relevante apresentado no pedido de medida cautelar.

Decreto assinado por Victor Marques viabilizou orçamento para que a Secretaria de Articulação Política e Social turbinasse contratação de terceirizados de livre escolha

A atual gestão da Prefeitura do Recife conta com mais de 11 mil cargos terceirizados e 3,5 mil comissionados, número superior ao do próprio governo estadual.

A Secretaria de Articulação Política e Social já tem em execução um contrato com 518 cargos terceirizados para fins administrativos, também sem justificativa do ponto de vista do interesse público. De acordo com a lista de empregados beneficiados com essas vagas, que o Blog teve acesso, muitos dos contratados são ex-candidatos a vereador, suplentes, lideranças comunitárias e familiares de políticos.

Enquanto a Secretaria ocupa um espaço físico restrito no décimo primeiro andar do prédio da Prefeitura, o número de funcionários só aumenta, sendo agora de 753 terceirizados e mais de 200 comissionados. O custo total de terceirizados pode chegar a R$ 48,1 milhões por ano — tudo bancado pela mesma dotação orçamentária, destinada a “locação de mão de obra”.

O pedido também pede a apuração de um decreto municipal editado em 5 de agosto, que remanejou R$ 15,1 milhões de verbas originalmente destinadas ao pagamento de servidores efetivos das Secretarias de Finanças e Administração para custear a terceirização na SEAPS — valor próximo ao gasto anual dos dois novos contratos. O requerente aponta ainda que um dos contratos foi firmado com uma empresa em recuperação judicial, já responsável por outro grande contrato na mesma secretaria, em meio a atrasos recorrentes da Prefeitura com fornecedores terceirizados, o que colocaria em risco salários e direitos trabalhistas de centenas de empregados.

Processo terá a relatoria do conselheiro Rodrigo Novaes, responsável pelas contas da SEAPS em 2026

Entre os fundamentos do pedido estão a ausência de estudos técnicos que justifiquem a expansão do quadro, a proximidade temporal entre as contratações, o crédito suplementar e o período pré-eleitoral (as eleições gerais ocorrem em outubro de 2026), além de suspeitas — ainda não comprovadas — de que parte das vagas seria distribuída por indicação política.

O requerente pede a suspensão imediata dos 220 novos postos, preservando os já ocupados, além de diligências para verificar a real necessidade dos cargos, a situação financeira da empresa contratada e a origem dos recursos remanejados pelo decreto.