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LITERATURA

Valdivia Beauchamp apresenta novo romance histórico sobre Gertrude Bell em lançamento no Recife

Augusto César Por Augusto César
Valdivia Beauchamp apresenta novo romance histórico sobre Gertrude Bell em lançamento no Recife

Um romance histórico bilíngue que entrelaça literatura, memória e política. Essa é a base do livro “Kaffeekantate”, escrito pela jornalista recifense Valdivia Beauchamp, membro da Academia de Letras da Grande São Paulo (ALGRASP). Nesta segunda-feira (3), a obra será lançada na Academia Pernambucana de Letras, no Recife, às 19h. Na sequência, ela seguirá para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorre entre os dias 3 e 14 de setembro.

A narrativa gira em torno de Gertrude Bell (1868-1926), escritora e arqueóloga britânica brilhante que ajudou a desenhar os rumos políticos do Oriente Médio atual. Iniciada no presente, época em que a personagem real revisita suas ruínas emocionais, a história mergulha no declínio do Império Otomano e segue até a criação do Iraque e a coroação do rei Faisal I. O escritor alemão Thomas Mann será uma peça fundamental na trama, em uma construção de viés tanto histórico quanto cultural.

Nascida na capital pernambucana, Valdivia se mudou para os Estados Unidos e atualmente reside em Nova York. Ao longo de suas seis décadas de carreira, ela já conversou com estadistas como Jimmy Carter e Helmut Kohl, além de cobrir, como repórter, o Congresso Nacional e as embaixadas na Capital Federal. O interesse pela personagem já a levou a escrever outros dois livros sobre ela: “Khatun, Gertrude Bell mentor de Lawrence d’Arabie” (2012), mais voltado para a atuação de Bell no Oriente Médio, e “My Mesopotamia Notes, of Gertrude Bell” (2015), baseado em anotações e diários da exploradora.

O romance de Valdivia se dedica a duas vozes que estão sempre em confronto: a voz confessional de Bell e a voz acusadora da mídia, que a persegue como um fantasma. É dessa tensão que o livro faz sua reflexão sobre poder, identidade, culpa e legado. “Esse fio narrativo, separado da história principal, é entrelaçado ao longo do romance, assombrando Bell do início ao fim. Ao lado de Thomas Mann, testemunhamos a fusão da cultura das plantações de café do século XX com a cultura intelectual que proporcionou a Gertrude Bell conforto em seus anos finais”, explica a autora.